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O Crème de la Crème do Pop Instantâneo.
Escrito por hígor    Qua, 17 de Junho de 2009 20:20    PDF Imprimir E-mail
 
 
Se o idioma do pop pós-moderno é mesmo tão dinâmico, frenético e multifacetado quanto um caleidoscópio no liquidificador, a melhor tradução brasileira do tema atende pelo nome de João Brasil.

Viciado em música eletrônica, o carioca estudou publicidade no Brasil antes de se mudar para Boston e se graduar também na prestigiada Berklee College of Music. Chegou à “fama” através do dublê de galã e apresentador-humorista Marcos Mion, no extinto Mucho Macho, programa que ia ao ar pela Mtv. “Baranga” foi seu primeiro sucesso, justamente como música-tema da campanha "Faça uma encalhada feliz", um dos esquetes do programa.



Laranjas fresquinhas, funk carioca e uma pitada de bom-humor:
Esse foi parar até no blog do Kanye West


 
Depois disso, já famoso pelas mãos do apresentador, João Brasil virou web-hit entre a turma dos teclados e logins: roqueiros coloridos, indies não-ortodoxos, e bem humorados em geral espalharam a febre disparando milhares de links com seus mashups adoravelmente venenosos, meticulosamente toscos e cheios de intenção, capazes de impor uma improvável convivência pacífica entre, por exemplo, “Every Body Dance Now” do C & C Music Factory, a versão do Sepultura para “Orgasmatron”, o neo-disco "D.A.N.C.E.",do duo francês Justice, "Don't Stop 'till You Get Enough", do Michael Jackson, “Feira de Acari”, do MC Batata, “Alala”, do CSS, e “Smells Like Teen Spirit”, do Nirvana, além de Salt-N-Pepa, Justin Timberlake, Offspring e Snoop Dog. Tudo bem temperado com um fortíssimo e inconfundível sotaque funk-carioca e, incrivelmente, espremido numa mesma faixa! E ele tem muitas outras.
 
 
Baile Parangolé


Comparado pela imprensa especializada ao produtor norte-americano Gregg Michael Gillis, mais conhecido como Girl Talk, Brasil surgiu com o pancadão pós-tropicalista “Baile Parangolé”, que, segundo o próprio, é uma “baile-funk homenagem a Caetano Veloso, seu livro ‘Verdade Tropical’ e todo o movimento tropicalista”, misturando a própria música “Tropicália”, de autoria do homenageado, com “Nega do Cabelo Duro”, do Luiz Caldas, “Swing da cor”, da Daniela Mercury, “Biotech is Godzilla”, na versão do Ratos de Porão e “Panis et circenses”, d’Os Mutantes, além de Edu Lobo, Guinga, Calypso, João Donato, Vinicius de Moraes e Baden Powell.
 
 
Calypso+Passion Pit+Ramones+Britney Spears

 
A lista é longa, e João Brasil não dá pistas de que vá diminuir o ritmo. Sempre prestes a lançar seu próximo “disco” – que tem como título proclamado o singelo epíteto Tropical Baile Tech, e acumulando mais de 1 milhão de views – contando todos os vídeos relacionados, no Youtube e mais de 140 mil acessos em sua página no Myspace, o músico há muito deixou a sombra de Marcos Mion e caminha, na velocidade de quem respira a internet, rumo a lugar nenhum, já que o crème de la crème do pop pós-moderno é o instante. Se suas músicas autorais não passam de curiosas bobagens descartáveis, é bem possível que mesmo cada um dos seus mashups não faça nenhum sentido amanhã (e isso não é demérito algum para quem entende a efemeridade acelerada da era dos downloads “livres”, sempre borbulhante de novidades, como uma nova realidade já instaurada), mas enquanto a febre não cede, faz todo o sentido você aproveitar a carona, desencanar de qualquer convencionalismo e, como diz a moderna juventude eletrônica, aproveitar pra se jogar na pista.
 
 
 
 
Hígor Coutinho
é editor do blog


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Última atualização ( Qui, 18 de Junho de 2009 10:55 )