| O Crème de la Crème do Pop Instantâneo. | ||||
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![]() Se o idioma do pop pós-moderno é mesmo tão dinâmico, frenético e multifacetado quanto um caleidoscópio no liquidificador, a melhor tradução brasileira do tema atende pelo nome de João Brasil. Laranjas fresquinhas, funk carioca e uma pitada de bom-humor: Viciado em música eletrônica, o carioca estudou publicidade no Brasil antes de se mudar para Boston e se graduar também na prestigiada Berklee College of Music. Chegou à “fama” através do dublê de galã e apresentador-humorista Marcos Mion, no extinto Mucho Macho, programa que ia ao ar pela Mtv. “Baranga” foi seu primeiro sucesso, justamente como música-tema da campanha "Faça uma encalhada feliz", um dos esquetes do programa. Esse foi parar até no blog do Kanye West Depois disso, já famoso pelas mãos do apresentador, João Brasil virou web-hit entre a turma dos teclados e logins: roqueiros coloridos, indies não-ortodoxos, e bem humorados em geral espalharam a febre disparando milhares de links com seus mashups adoravelmente venenosos, meticulosamente toscos e cheios de intenção, capazes de impor uma improvável convivência pacífica entre, por exemplo, “Every Body Dance Now” do C & C Music Factory, a versão do Sepultura para “Orgasmatron”, o neo-disco "D.A.N.C.E.",do duo francês Justice, "Don't Stop 'till You Get Enough", do Michael Jackson, “Feira de Acari”, do MC Batata, “Alala”, do CSS, e “Smells Like Teen Spirit”, do Nirvana, além de Salt-N-Pepa, Justin Timberlake, Offspring e Snoop Dog. Tudo bem temperado com um fortíssimo e inconfundível sotaque funk-carioca e, incrivelmente, espremido numa mesma faixa! E ele tem muitas outras. Comparado pela imprensa especializada ao produtor norte-americano Gregg Michael Gillis, mais conhecido como Girl Talk, Brasil surgiu com o pancadão pós-tropicalista “Baile Parangolé”, que, segundo o próprio, é uma “baile-funk homenagem a Caetano Veloso, seu livro ‘Verdade Tropical’ e todo o movimento tropicalista”, misturando a própria música “Tropicália”, de autoria do homenageado, com “Nega do Cabelo Duro”, do Luiz Caldas, “Swing da cor”, da Daniela Mercury, “Biotech is Godzilla”, na versão do Ratos de Porão e “Panis et circenses”, d’Os Mutantes, além de Edu Lobo, Guinga, Calypso, João Donato, Vinicius de Moraes e Baden Powell. A lista é longa, e João Brasil não dá pistas de que vá diminuir o ritmo. Sempre prestes a lançar seu próximo “disco” – que tem como título proclamado o singelo epíteto Tropical Baile Tech, e acumulando mais de 1 milhão de views – contando todos os vídeos relacionados, no Youtube e mais de 140 mil acessos em sua página no Myspace, o músico há muito deixou a sombra de Marcos Mion e caminha, na velocidade de quem respira a internet, rumo a lugar nenhum, já que o crème de la crème do pop pós-moderno é o instante. Se suas músicas autorais não passam de curiosas bobagens descartáveis, é bem possível que mesmo cada um dos seus mashups não faça nenhum sentido amanhã (e isso não é demérito algum para quem entende a efemeridade acelerada da era dos downloads “livres”, sempre borbulhante de novidades, como uma nova realidade já instaurada), mas enquanto a febre não cede, faz todo o sentido você aproveitar a carona, desencanar de qualquer convencionalismo e, como diz a moderna juventude eletrônica, aproveitar pra se jogar na pista. Hígor Coutinho é editor do blog Comments (0) |
| Última atualização ( Qui, 18 de Junho de 2009 10:55 ) |






