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Sobre tios, tias e música da boa
Escrito por hígor    Seg, 04 de Maio de 2009 14:03    PDF Imprimir E-mail
 
 

Por Túlio Moreira Rocha

 

Apesar de conviver, profissionalmente, com a sanha da imparcialidade - um dos preceitos fundamentais do jornalismo, de vez em quando gosto de extravasar um pouco e escrever tudo o que penso, tim tim por tim tim, sem língua presa. Não escondo que Caetano Veloso e Gilberto Gil são, a meu ver, os dois maiores artistas brasileiros de todos os tempos em todas as áreas, superando todos os imortais, consagrados e impecáveis queridinhos da elite intelectual brasileira. São, também, os dois artistas mais perseguidos e condenados pela mídia “profissional” e pela mídia-de-orkut do país.

Alheio à enxurrada de resenhas preconceituosas e caretas sobre o novo disco de Cae, quero dizer que existe muita "fritação" e coisa legal em Zii e Zie. Pense bem, Caetano é o cara que encontrou, há muito tempo, a batida perfeita, detalhada, em riqueza de acordes e arranjos, em toda sua extensa obra de inumeráveis clássicos. Então, o que resta, agora, é experimentar e redimensionar, a cada disco, todas as pirações acumuladas ao longo de tantos exercícios geniais.

 
Novo “filho” de Caetano acrescenta ao legado do gênio
 

Desde o lançamento de (2006), andam escrevendo coisas do tipo: “perceberam que Caetano tem andado bastante estranho?”. Pois para mim, ele é estranho desde o começo, desde “Avarandado”, passando por “Menino do Rio”, “Vampiro”, “Rapte-me Camaleoa”, tantas esquizofrenias tropicais, embebidas em poesia com vestígios de fumaça e maresia. Chegou ao ápice com Transa (1972) - a batida perfeita, do iniciozinho lisérgico e colateral de “You Don't Know Me” e a loucura reggae-psicodélica de “Nine Out of Ten”.

Sem ficar preso nesse passado brilhante, repito: Zii e Zie tem coisas belíssimas. Como “Sem Cais”, uma daquelas canções que fica se repetindo na cabeça até formar uma rede de sentidos secundários de musicalidade e letra. Ou “Ingenuidade”, que abraça o samba e a ironia, “Eu não reclamo o que ela fez / Só condeno a mim mesmo / Por ter me enganado outra vez”, ironia de crescer, ficar velho e continuar criança de tudo.

 Caetano não tem vergonha de ser assim. Ele quer cuspir na cara da maturidade e mostrar que ainda está conhecendo as coisas, ainda tem criatividade suficiente pra continuar descobrindo a música, renovando-se, encontrando novas soluções... e rascunhando em cima de novos problemas. Só espero que os que o rejeitam também tenham, algum dia, disposição suficiente para se deixar raptar e adaptar a incompatibilidade dos gênios que convivem dentro de Cae.

 
 

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Última atualização ( Seg, 04 de Maio de 2009 14:40 )