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Heaven And Hell, o demônio que nós conhecemos
Escrito por Administrador    Dom, 17 de Maio de 2009 17:12    PDF Imprimir E-mail

Brasília, quarta-feira, 13/5. Estádio Nilson Nelson, noite de Heavy Metal genuíno, feito por quem entende... ou melhor, quem criou.



Taí, confesso que nunca pensei um dia ter a oportunidade de ver esses quatro monstros sagrados do Heavy Metal tocando junto. Me parecia mais provável assistir à um show da carreira solo de Ronald Padavona, mais conhecido como Dio, ou até mesmo ao Black Sabbath tocando com sua formação original. Isso porque não enxergava nada de concreto nos boatos e entrevistas que apontavam rumores dessa reunião. Até que em 2006, Tony Iommi e Geezer Butler se juntam a Ronnie James Dio para, novamente, estremecerem o mundo da música pesada. Para a bateria, ninguém menos do que Vinny Appice. Como nome da banda, Heaven And Hell, tirado do álbum homônimo, lançado em 1980.

A verdade é que há muito Iommi queria lançar um novo disco de estúdio. E o cara perdeu a paciência com Ozzy. Imagine você compor, compor, compor... e não ter um vocalista que apresente idéias para linhas vocais, arranjos, letras, etc. E quando as tem, esquecê-las antes do dia seguinte. Penso que esse deva ter sido um panorama rápido do Black Sabbath nos últimos onze anos, desde o retorno de Ozzy.

Dessa forma, Dio se encaixou como uma luva nos planos de Iommi, até mesmo porque o baixinho havia saído da banda ,de forma estranha, na década de noventa, após lançar um álbum brilhante, o Dehumanizer. Primeiramente, a reunião era apenas para alguns shows, mas logo a idéia de construir um novo álbum foi tomando forma.

O título dessa resenha vem justamente daí. Lançado há pouco tempo, “The Devil You Know”, que em português seria algo próximo de “o Diabo/demônio que vocês conhecem” apresenta uma banda tão, ou ainda mais, eficiente do que aquilo que conhecíamos. O novo disco conta com trabalhos inspiradíssimos de cada um dos integrantes e, em diversas partes, reinventa, sem soar caricato, o que se acostumou a chamar de Hard Rock(o da década de 70), Heavy Metal e o Doom. E tem muito de “Dehumanizer” também!

Mas vamos ao que interessa, que é o show. Tudo isso que envolve a reunião da banda possibilitou a vinda dos caras para uma turnê pelo Brasil e que, felizmente, passou por Brasília, capital que se rendeu a essa que é, talvez, a melhor formação do Sabbath.

Por volta das 22:30, o show se inicia com a intro E5150, que na verdade é a quarta faixa do álbum “Mob Rules”. Aos poucos Iommi, Butler e Appice vão assumindo seus postos e está tudo pronto para o início eletrizante de “Mob Rules”, com o característico berro de Dio, “Ohh, come on!”. Na seqüência, o vocalista dá as boas vindas aos presentes e anuncia "a primeira música que compusemos juntos": “Children Of The Sea”. - Interessante que ao fim do show, ao menos uns três marmanjos da excursão em que eu estava confessaram terem ido às lágrimas durante essa canção.

A próxima foi “I”, com sua ótima introdução e seu riff esmagador, onde Tony Iommi ensina pros desavisados o que é peso, e como deve ser o timbre de uma guitarra. A essa altura da apresentação, esse que vos escreve já considerava o que via e ouvia como o melhor show de sua vida.

Era hora da primeira música do novo disco, a canção de trabalho “Bible Black”, que ficou ainda melhor ao vivo. Novamente muito peso, e execução de gala por parte de Iommi. Depois, de “Time Machine”, foi a vez de Vinny Appice se sobressair. Geralmente, solos de bateria são extremamente enfadonhos e desnecessários, principalmente quando se toca na banda de Bill Ward, o maior baterista da face da Terra. No entanto, Appice foi bastante criativo e mostrou uma pegada impressionante. Esmurrou seu kit e a cada pancada interagia com o público. No mínimo, um ótimo solo.

A próxima foi “Falling Off the Edge of the World”, anunciada por Dio como "... uma música que escrevemos numa época em que o mundo era um lugar difícil para se viver. Bom, hoje em dia continua sendo assim..." Sensacional. Com certeza, uma das melhores do show. Na seqüência, “Follow The Tears”, também do disco novo, e a mais “Sabbath” delas. A introdução parece vinda de um rito macabro, e desemboca num riff magistral. Só não é perfeita pela linha vocal do refrão. Não sei por que, mas irrita bastante esse refrão. Além de ser bastante enjoativo...

No entanto, o show vai se encaminhando para a reta final, e vai ficando cada vez melhor. O solo de Iommi indica que é hora de “Die Young”, canção simplesmente genial, emblemática, e que conta com a melhor interpretação vocal de Dio em sua carreira no Sabbath. Só fica atrás da desumana, “Stargazer”, do longínquo e estupendo período no Rainbow. Por falar em Dio, como é impressionante esse baixinho. Aos sessenta e sete anos, segue cantando de forma brilhante e com um carisma fora do comum. Ele que por onde passou, fez obras geniais. Seja no Ronnie Dio and The Prophets e no The Elves, que viriam a ser o ELF, no supracitado Rainbow, no Black Sabbath, ou em carreira solo.



O falso ato final veio em forma de “Heaven And Hell”, que dispensa comentários e que foi executada numa versão magistral de quase quinze(!) minutos. Nessa hora ficou provado que Tony Iommi e Geezer Butler são os melhores no que fazem. Criaram o Heavy Metal e são lendas vivas. Mesmo após quarenta anos continuam exalando a essência da música pesada. Não são apelativos, apenas tocam. Sem rirem, sem gracinhas, sem papo-furado. Apenas maldade em forma de música. Vale destacar também o sistema de iluminação. Muito bonito e eficiente durante todo o show.

O bis veio com “Neon Knights”, introduzida com trechos de “Country Girl”. O Ginásio Nilson Nelson veio abaixo. “Neon Knigths” sintetiza o que é Black Sabbath com Dio nos vocais, e encerrou essa apresentação que, certamente, entrou para historia dos inesquecíveis shows em território candango, como o Venom na década de 80, o Iron Maiden meses atrás, dentre outros.
    
Hail the Devil we know!

por Guilherme Gonçalves

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