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Festa de Lançamento do Calendário Rock Years 2010 Sexta - 18/12/2009 Recanto dos Ipês 
Sexta-feira, dia de fechar a semana, tenha sido ela boa ou ruim (Já foi...), e beber aquela cerveja, pra comemorar ou pra esquecer, mas que de um jeito ou de outro é bem-vinda (às vezes necessária.). E nessa última sexta aconteceu a festa de lançamento do Calendário Rock Years. Nada melhor do que ir beber a já mencionada cerveja numa festa legal ouvindo um rock n’ roll ao vivo. Pronto! Tudo junto pra começar o fim de semana na boa. E tudo rolou na boa! Festa maneira, com tudo de bom, bem freqüentada, com exceção da cerveja. Justo a cerveja!
Logo ao entrar no Recanto dos Ipês, eu e a turma do goianiarockcity.com estranhamos a pouca quantidade de carros no estacionamento; logo depois pudemos confirmar que a própria festa não estava muito cheia, mas tinha gente bastante pra fazer da festa uma Festa. Não fosse a vibração que um público maior irradiaria na hora dos shows ao vivo, eu diria que a ocupação do espaço foi boa.
A Festa ocorreu por conta do lançamento do Calendário Rock Years 2010, idealizado por Marília e Rafaela, com fotos de Marília. O calendário ficou muito bacana, com lindas modelos escolhidas a dedo para ilustrarem, em cada folhinha do ano de 2010, uma referência direta a uma época, um grito de guerra, um estilo ou até a uma determinada banda da história do rock n’ roll. As fotos do calendário ficaram muito legais, bem tiradas e montadas pra passar a mensagem e a referência a que elas se propõem sem precisar de nenhuma legenda ou quadrinho explicativo. E eu já mencionei as garotas do calendário? Vale a pena conferir. Exemplo: a foto de uma menina em meio a uma paisagem vestindo uma camiseta com as inscrições do famoso grito de guerra, “Gabba, gabba! Hey!”, ou outra foto de outra garota vestindo boina, uniforme de escola com gravata, torcendo o bico e com dois chifrinhos na testa. Claras referências e mensagem bem passada, não é mesmo? Uma boa sacada das idealizadoras, e uma ótima alternativa àqueles calendários promocionais do “Posto Planalto”* ou do “Açougue Bom Preço”* com mensagens de prosperidade que costumamos receber nesta época do ano e que ficam o ano inteiro (pense nisso, o ano inteiro!) pendurados na parede da cozinha. Na verdade, infinitamente melhor. Confira por si só.
* Nomes fictícios. Qualquer semelhança com estabelecimentos homônimos e que fazem calendários promocionais de fim de ano é mera coincidência.
Tudo ótimo. Mas, e a cerveja? Como já comentei, a festa não estava cheia, e logo no início do 2º show da noite, no meio da balada, peguei uma “gelada” completamente quente e cheia de sal grosso colado na lata. Olhei pra lata, olhei pra galera no balcão, olhei ao lado pra conferir a lotação da festa e concluí: Que vacilo, hein! E dos grandes. Imaginem se a festa estivesse mais cheia! Tinha espaço pro dobro de gente! Esse item merece sempre uma atenção especial por parte dos organizadores, pois independente da simpatia etílica de cada pessoa, sem molhar o bico é mais difícil prestigiar o evento; às vezes impossível. Era sexta-feira, porra! Ainda bem que, pra minha sorte (ou azar, ainda não sei bem.) havia uma presença no evento que me tirou a atenção desta fatalidade, mesmo tendo eu ficado sabendo dessa presença tarde demais.
Bico seco a parte, vamos aos shows que coroaram a noitada.

Trivoltz Primeira banda a subir ao palco montado no Recanto dos Ipês, os Trivoltz fizeram um show bacana. Não muito empolgante, haja visto que da metade pro final do show a galera que o estava prestigiando deu uma raleada. O som deste trio é um rock mais lento, mais melódico, mas que não deixa de ter seu peso por conta disso. Não há predominância de riffs de guitarra gritados no som dessa banda, o que a princípio estranha, fere as expectativas do “freguês”; talvez por isso a debandada da galera no meio do show. Uma pena, pois a 2ª metade do show foi a melhor. Foi um ótimo show pra quem quis realmente conferir a proposta da banda, que mostrou que tem potencial e talentos pra passar bem sua mensagem.
O baterista é bom, mas estava duro no início do show; com o tempo foi se soltando e chegou a tocar muito na 2ª metade do show. O baixista, que também é o vocalista da banda, é um ótimo instrumentista e dono de uma voz bonita e poderosa, o que eleva bastante o patamar sonoro da banda; o cara tem apenas um tique de passar a mão pela careca nos momentos de maior sentimentalismo das músicas que remete à imagem do Curly, o careca dos Três Patetas, cuja característica principal, pra quem se lembra (ou melhor, pra quem sabe, pois o Curly morreu no final de década de 50), era um tique parecidíssimo. Pra completar o trio, o guitarrista da banda é um japonês muito magro de cabelos muito compridos que lembra uma gueixa; dono de uma stratocaster sunburst linda, tanto na aparência quanto no som (Me desculpem os amantes das gibson, que têm seu lugar de honra e são até mais bonitas visualmente, mas o timbre de uma stratocaster é incomparável), e muito bem “pedalada”, soube tirar lindas melodias de seu instrumento, principalmente nas ultimas músicas, aproveitando bem seu poder, ainda que timidamente.
Sacanagens à parte (espero que o “Curly” e “a gueixa” levem na esportiva se chegarem a ler esta resenha...), a banda é legal e fez um show muito bacana.
MQN
Shows do MQN, banda que já pode ser considerada clássica dentro do cenário rock de Goiânia, são sempre muito bons; pelo som, pela descontração, pela bagunça, pela empolgação que têm e que passam para o público que os assiste. É sempre um barato! Esses caras encarnam a postura do rock n’ roll em todo o seu simbolismo. Fazendo uma analogia, eu diria que eles são o Motorhead do cerrado; banda que não faz um som virtuoso, mas que encarna a essência do rock fazendo com que todo mundo reconheça e pague um pau, até mesmo os virtuoses. A banda é liderada por Fabrício Nobre nos vocais, figura carimbadíssima do cenário rock goianiense e dono de uma presença de palco única, que influencia todo o restante da banda a uma presença similar, construindo assim a postura rock n’ roll do MQN.
A banda faz um hard rock empolgante, rápido sem ser “correria”, conciso, bem riffado, gritado na medida. Sonzêra, sempre! Pra se ter uma comparação, a banda anterior fez um som que eu considero mais elaborado, mas o MQN, mesmo com músicas mais “simples”, fez um show muito melhor. Isso é rock n’ roll.
No mais, todos conhecem bem esta banda de outros eventos, e comentários adicionais são desnecessários. O show terminou com o tradicional banho de cerveja (melhor destino pra ela não poderia haver...) e um prato de bateria jogado ao chão, já que quebrar a guitarra, por mais que a gente queira nessa hora, não rola por motivos óbvios.
O melhor show da noite em minha opinião. Rock n’ roooooll, uuuôôôôôôuuuuu!
 Black Drawing Chalks
E, pra fechar a noite, a banda mais famosa da cidade.
Ah, se a cerveja estivesse gelada a resenha deste show poderia ser outra (Talvez não...). Mas quando o show do Black Drawing Chalks começou eu estava sem beber já há algum tempo, estava mais sóbrio, mais com os ouvidos mais atentos e com o senso crítico mais aguçado devido à abstinência, o que me fez achar defeitos no som dos caras.
Não sei se a equalização do som não combinou com os instrumentos da banda e, principalmente, com o vocal, mas a freqüência média imperou no ambiente. O famigerado efeito corneta. O som estridente foi me afastando do palco até o ponto de eu ter que assistir ao final do show do lado de fora. O som do vocal da banda estava estridente, desafinado, feio. Como tradicionalmente as guitarras desta banda tocam em riffs no mesmo tom e altura dos vocais, consequentemente seguiram pelo rumo do médio exagerado, o que machucou os ouvidos.
Comentei na hora sobre isso com um amigo, e ele me orientou a ouvir os discos da banda antes de escrever a respeito do show, que são bons e muito bem produzidos. Mas, como estou falando justamente do show, e não dos discos da banda, resolvi não amolecer.
Na resenha que fiz sobre o show dos Black Drawing Chalks no Goiânia Noise Festival eu falei muito sobre a posição que esta banda alcançou no cenário, e certamente eles não alcançariam esta posição se fossem ruins. Não é esse o caso. Os caras tocam bem, fazem um rock n’ roll empolgante, têm músicas maneiras, uma presença de palco bacana, mas, como já disse, creio que neste show faltou entrosamento entre a equipe de som e a banda propriamente dita. O som saiu feio. Uma pena! A excelência do equipamento de som dos palcos do Noise, por exemplo, fez com que seu som naquela ocasião saísse muito mais bonito. Faltou alguma coisa, pouca coisa, que poderia ter feito a diferença; uma leve diminuída no volume das guitarras, uma pegada mais forte no baixo, uma “maquiada” necessária no microfone principal...
O show foi empolgante, com postura, mas o som foi ruim, o que deu aos Black Drawing Chalks a última posição do grid na noite de sexta. Rock n’ roll, uou.
Ao final da noite, lá pelas 4 da matina, achei que era bem mais cedo, pela sobriedade e porque até então ninguém parecia ter ido embora da festa, até que me alertaram para o adiantado da hora. Sinal de que a festa valeu demais.
Marcus Marques
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