| Resenha 15 Goiânia Noise - Sábado | ||||
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Goiânia Noise FestivalSábado - 28/11/2009 Martim Cererê O quarto dia de shows do Goiânia Noise Festival rolou bem. Mais vazio do que no dia anterior. Aliás, dos três dias de shows no Martim Cererê, este foi o dia mais vazio, mas “vazio” somente em comparação com os outros dois dias, sexta e domingo. Havia um ótimo público no Martim capaz de lotar com sobra (muita sobra) cada show desde os primeiros, mas, não sei se pra bem ou pra mal, uma grande parte dos presentes tinha outras prioridades, como disse na resenha anterior. Vamos aos shows: Mugo (GO) O primeiro show que fui conferir, no momento em que entre no Martim Cererê no sábado, foi o show dos nativos do Mugo. Um showzaço. Tive a oportunidade de ver esta banda na edição do Noise de 2008, e este ano eu curti mais que no ano passado. Pode-se dizer que agora eles estão bem mais “Metal” do que “Death”. Tocaram um metal muito bem tocado, com os instrumentistas em total entrosamento e tocando linhas musicais muito bonitas. Mas o vocalista da banda é seu chamariz; canta muito bem, em vocais alternados entre melódicos, guturais e gritados, permanecendo a maior parte do tempo nos guturais, e com uma presença de palco sensacional. Exímios representantes da atual e melhor fase do rock goiano. Uma ótima banda, que fez um show empolgante. Aliás, estranhei a resposta do público, que me pareceu muito quieto; vai ver ainda estava cedo, e os ânimos ainda não estavam devidamente alcoolizados. Cassim & Barbária (SC) Saí do show do Mugo e fui direto (depois de pegar mais uma, é claro!) para o outro teatro, Yguá, pra conferir o próximo show. Os caras já estavam tocando quando cheguei lá. Checando o livrinho no dia anterior, vendo os nomes de todas as bandas que rolariam no festival, vi o nome Cassim & Barbária. Confesso que, ao ver este nome, minha mente na hora comparou com algo como “Jane e Herondí” ou “Jairzinho e Simoni”. Será que é algo assim? Não, não pode ser! Simplesmente porque não combina com isso aqui. Felizmente eu tinha razão. Como eu estava no astral do Metal por conta do show anterior, estranhei, a princípio, o show da banda de Florianópolis. O Cassim & Barbárias toca um rock mais lento, mais cadenciado, com vocais bem baixinhos e delicados em algumas partes das músicas. Mas, conforme o show foi passando, entrei na onda e pude curtir um ótimo show. Uma boa banda, que fez um rock bacana, meio anos 90, meio folk, mas sem solos e riffs poderosos, o que o deixa não muito empolgante. A banda tocou com dois bateristas, com um deles se alternando entre a sua bateria e uma mesa com sintetizadores de som, e mais 2 guitarristas, que também dividiam os vocais, e um baixista. Aliás, falando no baixista, neste show rolou um lance muito engraçado. O baixista, um sujeito bem alto, barbudo e com os olhos fundos, tocava sem se mexer, sem rir, sem cantar, sem nenhuma expressão facial. Parecia o próprio mordomo da família Adams. Nisso, uns caras que estavam assistindo ao show na primeira fileira, junto à grade, começou a provocá-lo, mandando-lhe o dedo e fazendo gestos obscenos, até o ponto que o cara não agüentou e teve que dar uma risadinha. Rachei de rir! Mas logo o baixista se concentrou novamente em seu personagem e não se desconcentrou mais até o final do show, mesmo com as provocações continuando. Vai ver o cara também poderia estar numa ressaca daquelas, sei lá! Digo porque minha expressão facial fica bem parecida nestas condições. ![]() Los Lótus (Argentina) O Los Lótus foi uma banda até legal, mas tocava nada mais nana menos que aquele rockzinho de “musica ligera” que as bandas hispano-americanas tocam em sua maioria. Valeu o show pela curtição e pela novidade, mas nada mais que valha a pena registrar. Sem mais. GrimSkunk (Canadá) Showzaço! Não merece um “Puta que Pariu”, mas os gringos fizeram um ótimo show. Os canadenses fazem um rock n’ roll embalado, característico do século XXI, com um tempero Ska e refrões que “pegam” e que todos cantariam juntos se conhecessem as músicas de antemão. Os teclados eram presença constante no som, e seu “piloto” o integrante da banda com a maior presença de palco (leia-se o mais “estrelinha”). A banda tem um vocalista principal, com o tecladista e o guitarrista também dividindo os vocais com ele. Levantaram o público, num show empolgante. Das bandas estrangeiras que pude ver no festival, diria que esta foi a melhor, lembrando que eu não vi o show de nenhuma das bandas americanas. Pagando pau pros americanos!? Não diria isso. É que foram eles inventaram o blues e o rock n’ roll, e só por isso sempre vale conferir tudo que fazem. Confronto (RJ) Não fui ver o show dos Porcas Borboletas junto com o Paulo Patife. Também tem que rolar um tempinho pra conversar com os amigos. Depois dos Devotos, banda que havia se apresentado no dia anterior, esta foi a única outra banda que apresentou o autêntico hardcore pro público do Martim Cererê. Este ano as bandas hardcore do evento tiveram um espaço específico para elas, o Capim Pub. Espaço este, aliás, tão hardcore quanto. Queria muito ter ido lá na quarta-feira, mas infelizmente não foi possível. O Confronto fez um show da pesada. Intenso, com riffs poderosos, vocal marcante, grave e gritado sem ser gutural. Sonzera! Um dos melhores shows do festival. Falar mais dos caras seria falar dos detalhes de cada música, o que não é o foco. Mas digo que vale a pena conferir o trabalho dos caras; fica a dica. Mama Rosin (Suíça) Ao checar que se tratava de uma banda da Suíça, fiquei ao mesmo tempo curioso e desconfiado. Não sabia o que esperar, e isso, ao mesmo tempo, te induz a querer conferir de qualquer forma o que vai rolar. Fui lá pra conferir. E não gostei. Uma banda perdida, querendo fazer música européia, celta, sei lá, com uma batida no fundo que era a única coisa que remetia o som da banda ao rock n’ roll. Um dos integrantes tocava uma sanfoninha cujo som começou a me dar nos nervos depois da segunda música. Saí de lá durante a terceira música e fui dar um rolê. Pode até ter gente que gosta, afinal, mesmo com uma sonoridade que não me agradou nem um pouco, a banda tocava um som ritmado. Mas eu, particularmente, não recomendo. ![]() Black Drawing Chalks (GO) + Chuck Hipólito (SP) Meus amigos do Mechanics e do Grupo Empreza que me desculpem, mas o rolê que rolou no meio do show dos suíços teve que demorar um pouquinho a mais, e eu acabei perdendo o show deles. Aí fui conferir o show dos Black Drawing Chalks, banda mais querida do rock n’ roll goiano da atualidade. Era até uma obrigação ver o show dos caras. Lembro-me de ter visto esta banda na edição do Noise do ano passado, no palco secundário, banda nova e desconhecida, mas que me chamou a atenção pela empolgação, pela paixão que havia em seu rock, mesmo que seu som fosse bem simples. Nota: agora eles estão tocando bem melhor, apesar do som continuar simples (o que pra muita gente é até melhor). Antes de falar sobre o show em si, quero dizer sobre o panorama do rock n’ roll goiano da atualidade a que esta banda se remete. Sempre existiram muitas bandas de rock n’ roll em Goiânia, desde os anos 80 e, principalmente, dos anos 90 pra cá, algumas delas muito boas (muito boas mesmo). Umas ainda continuam firmes, outras já não existem ou sua presença já não é tão marcante. Mas, certamente, nenhuma delas alcançou o reconhecimento e a projeção que os Black Drawing Chalks alcançaram. Pude ver que estes rapazes são os ídolos de muitos garotos e garotas hoje, são a imagem do rock n’ roll alternativo para o público jovem na atualidade. E rock n’ roll é isso; é mais que som, é imagem, é atitude, é um estilo. Mérito deles próprios? Falta de bons representantes do estilo no “maistream” atual, tanto aqui como lá fora? Um tremendo empenho de seus produtores, que os escolheram para brincar de “Peter Grant”? Ou tudo isso junto? Não importa. O que importa é o resultado, a projeção que uma banda de rock n’ roll goiana al cançou junto ao público local e no Brasil inteiro, inclusive no exterior. Isso é uma coisa que nenhuma outra banda goiana teve, apesar de várias terem merecido tanto quanto. E, diante de todo esse contexto, não poderia ter sido diferente. Os Black Drawing Chalks fizeram um puta show, empolgante, com a melhor resposta do público em todo o festival, que cantou os refrões junto com a banda em praticamente todas as músicas. O som da banda é um hard rock empolgante, bem ritmado, bem tocado, e que dispensa comentários adicionais. Lembro-me do momento em que a banda chamou o Chuck pra entrar, mas não percebi nenhuma alteração no som por conta disso. Não me lembro do que ele acrescentou lá. Muito bom! Sonzera! Meu sonho é que o exemplo desta banda seja perseguido por outras bandas, e principalmente por seus produtores, daqui pra frente. Quem sabe assim mudamos o estigma do estilo sertanejo vinculado à nossa terra? Potencial pra isso nós sempre tivemos, e o exemplo é esse aí. Depois deste show a cerveja bateu forte de novo, e o resultado foi o mesmo do dia anterior. Queria muito ter visto o show das Mercenárias, mas alguns amigos me disseram depois que foi uma bosta, o que deixou minha consciência mais tranqüila. Lamento mesmo não ter visto o show dos americanos do Dirty Projectors, pois deste show eu tive boas notícias. Marcus Marques Comments (0) |
| Última atualização ( Qua, 09 de Dezembro de 2009 11:46 ) |








